Sítio do Piropo B. Piropo |
< O Globo >
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18/03/2002
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Querida, encolhi > |
A Intel anunciou na terça-feira da semana passada que conseguiu bater o recorde mundial em redução do tamanho de chips de memória. Que influência terá isso em nossos micros? Quando o assunto é memória, dois fatores devem ser considerados: capacidade e rapidez. Da importância da capacidade, ou quantidade de informações armazenadas, estamos todos cientes. Na verdade, é o único aspecto que muitos de nós levamos em consideração. Mas a rapidez é igualmente importante: é ela quem define o intervalo entre acessos, ou seja, após lido ou escrito um bit, quanto tempo é preciso esperar para ler ou escrever o próximo. Há muitos tipos de memória. Em nossos computadores podemos encontrar diversos deles. Mas há dois que nos interessam particularmente: memórias dinâmicas, ou DRAM (de Dinamic RAM) e estáticas, ou SRAM (Static RAM). Memórias dinâmicas são baseadas em capacitores e, apesar do nome, são mais lentas (a palavra “dinâmica”, nesse contexto, não indica rapidez, mas sim o fato da informação se alterar com o tempo, já que os capacitores tendem a se descarregar sozinhos). Sendo relativamente baratas, são usadas como memória principal em nossos computadores e há diversos tipos delas, como FPM, EDO, SDRAM, DDRSDRAM e RDRAM, as últimas mais rápidas que as primeiras. Memórias estáticas são baseadas em transistores. São estruturas razoavelmente complexas (uma célula de memória que armazena um único bit exige o emprego de quatro a seis transistores interligados) e por isso são mais caras. Em contrapartida, são muitíssimo mais rápidas, permitindo acessos a intervalos curtíssimos. O ideal seria poder usá-las sempre, mas seu alto preço as reserva para finalidades nobres. E, em nossos micros, não há memória mais nobre que o “cache” interno, o cache L1 (de “Level 1”, ou nível 1), um naco de memória situado dentro do próprio microprocessador (ou CPU) onde são copiados trechos da lenta memória principal para acelerar o desempenho (como a CPU “adivinha” os trechos onde serão feitos os próximos acessos para copiá-los no cache é um assunto que vale um artigo, mas não cabe aqui e fica reservado, quem sabe, para o futuro). O cache L1 precisa ser rápido porque é obrigado a funcionar na mesma freqüência do microprocessador. Ora, os ciclos de uma CPUs operando a 2GHz se sucedem a intervalos de meio bilionésimo de segundo (0,5 ns) e a memória interna tem que suportar acessos nesses intervalos. E já há CPUs mais rápidas que isso (o novo Pentium 4 chega a 2,2 GHz). Daí a enorme importância de desenvolver memórias estáticas cada vez mais rápidas. Um dos segredos da rapidez de acesso das memórias estáticas é seu tamanho. Quanto menores as estruturas, menor o trajeto da corrente elétrica, menos potência é consumida (e portanto menos calor é dissipado) e mais rapidamente a célula pode ser “ligada” (armazenando um bit “um”) ou “desligada” (bit “zero”), determinando a rapidez do acesso. Portanto, nesse campo, “pequeno” é a palavra chave.
A importância deste feito não pode ser desprezada. Os microprocessadores modernos exigem caches L1 com capacidades cada vez maiores e a redução de seu tamanho físico é importante não apenas no que toca à rapidez de acesso como também no que diz respeito ao próprio tamanho da CPU. Afinal, enquanto os Pentium 4 atuais usam 512 KB de cache L1, os futuros lançamentos (por enquanto conhecidos apenas por seus nomes de código McKinley e Madison) deverão usar, respectivamente, 3 e 6 Mb de cache interno. Muitas vezes maior que toda a memória RAM de meu primeiro PC... B. Piropo |